Há um corpo triste.

Caminha descontinuadamente.

Ora para, ora anda, ora estremece.

Debate-se nas esquinas, chora, sente.

Grita alto, cala-se, faz uma prece.

Sozinho, perdido, confuso, ausente.

Ausente de si, de esperança, de amor.

Queria dizer a alguém, esquece-se.

Finge esquecer. Melhor dar uma de louco.

Nesse mundo de explicação, é menos sufoco. Fingir estar bem. Comportar-se como morto.

O morto não fala. Não sente. A preocupação de todos é como será o seu enterro. Onde será sepultado.

O corpo triste então se cala, vira cadáver em vida. Acredita ser a melhor saída para não correr o risco de ser julgado.

O morto em vida cava a sua sepultura com a enxada da amargura que está imerso, desacreditado da cura.

Ele sepulta os sorrisos. A esperança. A confiança. A fé. O coração. De tantos sepultamentos quando se vê já estar a sete palmos do chão.

Raquel Dantas Pluma

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